Outubro Rosa: Como a biotecnologia tem ajudado na luta contra o câncer de mama

Como você talvez já saiba, o Outubro Rosa é um movimento internacional que acontece, anualmente, para o combate do câncer de mama, principalmente. O surgimento dessa data comemorativa tem as suas raízes nos anos 80, com dois principais acontecimentos. No Texas, em 1983, acontecia a primeira “Corrida pela Cura”, este evento, que contou com 800 participantes, foi criado pela organização sem fins lucrativos Susan G. Komen for the Cure, tendo como  principal objetivo arrecadar fundos para o financiamento de tratamentos para a enfermidade e conscientização sobre tal. Logo em seguida, em 1985, foi criado o mês de conscientização do câncer de mama, em uma parceria da American Cancer Society com a empresa Imperial Chemical Industries, que agora faz parte do conglomerado farmacêutico AstraZeneca.

Cinco anos depois, inspirada pela fita amarela de Penelope Laingen e pela fita vermelha da luta contra a AIDS, a instituição Susan G. Komen for the Cure começou a distribuir, em seus eventos, a fita rosa, a qual se tornou símbolo da luta contra o câncer de mama anos mais tarde.

A definição mais tradicional de câncer é o conjunto de doenças genéticas, mas não necessariamente hereditárias, que têm em comum a divisão indiscriminada de células podendo levar a um processo chamado metástase, o qual é caracterizado pela invasão de outros órgãos ou tecidos. Além do fator hereditário, o sedentarismo, obesidade e consumo de bebidas alcoólicas também são exemplos de fatores de risco para câncer de mama.

O câncer de mama tem vários subtipos, dependendo da área da mama, podendo ter um desenvolvimento mais rápido ou mais lento. Apesar de acometer principalmente mulheres, os homens representam 1% dos casos de câncer de mama.  A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para o ano de 2021 é que sejam diagnosticados 66.280 novos casos de câncer de mama no Brasil. 

Uma atuação da Biotecnologia na área ocorre durante a avaliação de risco. Os genes BRCA1 e BRCA2 são responsáveis pela codificação de proteínas importantes para vias de proteção do genoma contra erros durante a divisão celular. Mutações nesses genes podem representar um risco significativo do desenvolvimento de diversos tipos de câncer, inclusive câncer de mama (50 a 80% de risco). Desse modo, esses genes podem ser usados como marcadores moleculares para a doença. 

Além disso, o papel biotecnológico também está presente no processo de compreensão de mecanismos dos tumores. Dentre eles, podemos citar 3 tecnologias para esse objetivo. A primeira é o perfil genético, ao aplicar testes de PCR, mapeamento genético e sequenciamento do DNA, o profissional da biotecnologia é capaz de identificar em indivíduos certos alelos que possuem maior probabilidade de desencadear células cancerígenas. Tendo em mãos esse perfil genético, é possível desenvolver terapias de prevenção ou melhores tratamentos precoces. 

A segunda é a análise genômica. Nessa, utilizando a técnica de Microarranjo de DNA (Microarray), o cientista em questão pode comparar o nível de expressão genética de milhares de genes ao mesmo tempo. Dessa forma, a tecnologia possibilita identificar  quais são os exatos genes que estão sendo ativados em um momento específico em uma célula. Portanto, ao empregar essa técnica em conjunto com a “Tecnologia de PCR em tempo real”, torna-se mais fácil entender o papel de certos genes na mutação de uma célula saudável em uma célula cancerígena. 

A terceira tecnologia é a cultura de linhagens de células transgênicas. Ao manipular tais culturas, o pesquisador pode induzir uma linhagem cancerígena, a fim de isolar o(s) gene(s) causador(es) da enfermidade em questão. Desse modo, é possível estudar os fatores que envolvem a expressão genética dessa porção do DNA e os efeitos que levam ao câncer. 

A riqueza de biodiversidade traz a possibilidade de encontrar moléculas potentes que podem ser grandes aliadas no tratamento contra o câncer de mama. Tratamentos utilizando moléculas naturais das mais diversas origens têm ganhado cada vez mais força. 

A importância da Biotecnologia na área é incalculável e a busca por novas ferramentas contra o câncer é o objetivo de cientistas ao redor do mundo, cujos trabalhos buscam melhorar processos já existentes, bem como encontrar novos tratamentos mais eficientes, que tragam aos pacientes menos efeitos colaterais. 

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REFERÊNCIAS

INCA. Ministério da Saúde. Outubro Rosa. 2021. Disponível em: https://www.inca.gov.br/assuntos/outubro-rosa. Acesso em: 16 out. 2021.

BAY, Jacquie L.; PERRY, Jo K.; LOBIE, Peter E. Breast cancer and biotechnology. In: LENScience Senior Biology Seminar Series Liggins Education Network for Science, Auckland. 2008. p. 1-12.

INCA. Ministério da Saúde. O que é câncer? 2020. Disponível em: https://www.inca.gov.br/o-que-e-cancer. Acesso em: 16 out. 2021.

INCA. Ministério da Saúde. Câncer de mama. 2021. Disponível em: https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-mama. Acesso em: 16 out. 2021.

GENERA. O gene BRCA e sua relação com o Câncer de Mama. Disponível em: https://www.genera.com.br/blog/o-gene-brca-e-sua-relacao-com-o-cancer-de-mama. Acesso em: 18 out. 2021.

CANONGIA, Claudia; ANTUNES, Adelaide; PEREIRA, Maria de Nazaré Freitas. Technological foresight—the use of biotechnology in the development of new drugs against breast cancer. Technovation, v. 24, n. 4, p. 299-309, 2004.

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